que tristeza escrever novamente
sabendo que escrevo só o que machuca minha mente
não só a mente, como meu coração e minha alma
do céu limpo e claro vi chegar a tempestade
senti o gosto amargo na minha boca
e o vazio no meu corpo
amanhã eu já não sei, hoje, menos ainda
não sei se paro de pensar, ou paro de escrever
sentimentos vão e vem, acabando comigo
onde está a corda para acabar com tudo?
será para enforcar ou para me puxar?
a decência e o amor estão fora de moda
sou uma velha então, uma velha querendo viver algo que já não existe
velha e amarga, que vive de ilusão, choro e velas
meus dentes se bateram...
minhas mãos tremulas tentaram achar uma saída
não consegui falar
nem nos olhos olhar
amor, nojo, desejo, magoa e carinho
mas como?
que os dias me levem para longe de mim mesma
que fria como a neve
dura como uma rocha, eu me torne
que sem sentimentos eu seja
e que amanhã ou depois
a velha se esqueça do que um dia pensou ter sido
amplexos aos que ficam
perdão para a que em mim acredita
longa a vida a quem eu acreditei
sem mais